A Confeitaria na minha vida!!!

É muito difícil começar a falar como foi que me encontrei com e na confeitaria, mas especificamente, no ramo de bolos e doces para festas.

Há 20 anos atrás, eu começava a fazer um curso de Psicologia na UFSCar, no interior de São Paulo, onde conheci meu marido, o Fernando…. Tudo nessa vida tem um propósito rsrs. Me formei, no início de 2003 e fiquei nessa profissão até quase exatamente um ano atrás. Sempre achei a profissão de psicóloga muito bonita e sempre tive muito respeito e empenho por esse trabalho, até porque eu tinha e tenho a consciência de que o psicólogo atua junto a pessoas em sofrimento. E isso não é algo a ser minimizado.

Mas durante toda a minha atuação como psicóloga,  sempre sentia duas coisas: uma angústia, que não sei de onde vinha, e uma sensação de que sempre estava faltando algo para me sentir realizada. E eu, como boa psicóloga que era, interpretava isso como sendo falta de conhecimento: precisava estudar mais para essa angústia sumir e eu não ter mais essa sensação de estar faltando algo. Assim, de 2003 até 2015, eu fiquei apenas um ano sem fazer nenhum tipo de curso: fiz cursos de aprimoramento, extensão universitária, mestrado, especialização e, por fim, fiz um doutorado em psicologia clínica. Dei aula em Universidades, tive consultório, trabalhei em instituições como psicóloga. E olha só, essas duas coisas que sentia não iam embora e nem diminuiam.

Paralelo a tudo isso,  casei em 2007 e, em 2008, nasceu minha primeira filha, a Júlia! Com o nascimento da Júlia, tive meu primeiro baque. Eu, que até então era 100% voltada para minha profissão, agora estava COMPLETAMENTE apaixonada por ser mãe. Então, além de sentir angústia e parecer que sempre faltava algo, entre 2008 e 2015,  também lidei com sentimentos muito ambíguos de querer ter uma vida profissonal e querer muito estar mais presente na rotina da minha família, além de ter que lidar com a culpa, a velha “amiga” de todas as mães e pais. Mas, até então, eu nunca havia questionado se era a psicologia o que  realmente queria fazer.

Em 2014, nasceu minha segunda gatinha, a Manu, e nesta época  estava escrevendo minha tese de doutorado e fazendo muita terapia rsrs. No final da minha segunda gravidez, eu já sabia que alguma coisa na minha vida profissional deveria mudar, mas ainda não sabia o quê. Então pensei que, terminando o doutorado, iria batalhar para ficar só com aulas em universidades, o que me possibilitaria ter uma vida mais tranquila para estar mais com minhas pequenas. Afinal eu, que moro em São José dos Campos, fazia meu doutorado em São Paulo; e isso não é uma rotina fácil. E assim, as coisas foram acontecendo: a medida que  ia concluindo o doutorado, voltei a dar aulas na minha cidade e, de repente, a vida parecia estar indo para o seu caminho certo. Os sentimentos de angústia e de que faltava algo ainda existiam, mas já tinha decidido não dar mais bola para eles. Porque  poderia, do modo como tudo estava indo, ter uma vida mais estável, previsível e tranquila.

Mal sabia que, 1 ano e meio depois do nascimento da minha segunda filha, iria engravidar de novo. E aí não foi um baque, foi uma virada do avesso. Porque na nossa vida, eu e meu marido tínhamos planejados só duas filhas, e o terceiro veio para surpreender mesmo!!! Só que diante da terceira gravidez, decidi que não dava para deixar coisas mau resolvidas, então decidi olhar de frente e sem medo para esses sentimentos que a tantos anos me acompanhavam: a tal da angústia e o sentimento de ainda estar faltando algo. Comecei, então, um longo período de reflexão, mas que me levou a perceber que a Psicologia não era o que eu queria fazer dali pra frente. Nem mesmo como professora. Mas, não sabia o que queria fazer. Então comecei a olhar para tudo com outros olhos.

Bem, nisso minha filha mais velha, que desde os 3 anos adorava cozinhar, sempre levava eu e o pai dela para cozinha para fazermos coisinhas. E depois que o Vinícius nasceu, começamos a ir com mais frequência para fazermos doces…. coisas MUITO básicas, viu? Bolo de caixinha, por exemplo. Até que um dia, a Júlia veio da escola com um dever de casa que pedia uma receita de família. Bom, agora, acho que posso falar um detalhe: nunca fui muito chegada na cozinha, sempre cozinhei o básico do básico. Então, onde eu ia arrumar uma receita de família?????? Me lembrei que minha mãe, cozinheira de mão cheia, fazia um bolo mesclado delicioso e que todo mundo ama. Pedi da minha mãe a receita. Só que a dona Júlia, minha filha, me pediu para fazermos o bolo em casa. Bom, fiquei meio apreensiva, afinal o recheio do bolo era Creme de Confeiteiro, e o CLÁSSICO, e a cobertura era Merengue, o Italiano. Mas, resolvi encarar. Resultado: não acertei o merengue, o creme de confeiteiro ficou cheio de pelotas, mas o bolo ficou delicioso e eu me senti muito feliz com a aquela conquista. Olha a foto aí da minha primeira obra de arte!!!! E, no detalhe, a batedeira da época…

juju e mamãe

 

 

 

 

 

Essa foto, foi tirada no dia 21/06/2016. O Vinícius, meu terceiro filho, já tinha nascido e ainda não tinha dois meses.

A Júlia, aí da foto, que é super empolgada e já achando que eu era a melhor confeiteira do mundo, me pediu para a gente fazer bomba… isso mesmo… Eclair. Eu achei engraçado, mas resolvi aceitar o desafio e me inscrevi na EDUK. A Eduk dá sete dias para a gente experimentar o site, então pensei, escolho um curso, aprendo as tais das bombas e depois cancelo minha assinatura. A gente assisita todos os dias o “Que Seja Doce“, do canal GNT, aqui em casa. Mas nem de longe passava na minha cabeça que ia fazer algo nessa área. Eu ainda estava pesquisando sobre coisas que poderia fazer. Nessa época acho que estava pensando em fazer curso de Pedagogia. Bom, mas no “Que Seja Doce” tem a Carole Crema, e quando vi na EDUK um curso dela que ensinava massa de bomba, nem pensei duas vezes: fiz a minha assinatura na EDUK no dia 26/06/2016, no dia que meu pequeno fazia dois meses de vida. O curso era “Segredos de Confeiteiro: massas e recheio“.

Com um bebê de dois meses em casa, uma pequena com 2 anos e 4 meses e uma filha com 7 anos, já dá pra imaginar como  fiz esse curso, né? A conta gotas… Mas fiz e, mais do que isso, adorei. A assinatura que ia cancelar após 7 dias, resolvi fazer por um ano e já estou na sengunda renovação rsrs. Assim, no ritmo que me era permitido e que eu conseguia, fui fazendo cursos de confeitaria e, sem perceber, fui me apaixonando. Fui testando receitas: consegui fazer as bombas (foi até o primeiro produto que vendi), depois fui me aventurando nos bolos, doces, tentei rocamboles, cupcakes, errei muita receita, percebi como esse trabalho é PESADO, errei mais receitas e fui percebendo como não existe nada na confeitaria que seja fácil e que tudo é uma questão de persistência. Pensei em desistir várias vezes mas, quando eu percebia, lá estava de volta à cozinha para tentar de novo uma receita que já tinha testado mil vezes e que ainda não tinha acertado.

E assim, sem me dar conta, fui me apaixonando pela confeitaria, fui me sentindo realizada em estar, bem devagar, ocupando esse lugar, quando de repente me deu um click: por que não ser essa minha nova profissão? E comecei a pensar nisso com mais empenho e, agora, empolgação. Mas, se eu já não tinha aquela sensação de que faltava alguma coisa, ainda tinha a angústia. Foi quando, em junho de 2017, recebi uma ligação me convidando para pegar umas aulas na faculdade de Psicologia. Aceitei! Fui conversar com a coordenadora. Nesse mesmo dia, a noite, tive uma reunião na escola dos meus filhos, para ser discutido questões sobre o futuro das nossas crianças, sua felicidade…. E me lembro de pensar assim: “Se eu quero que meus filhos corram atrás de seus sonhos, que sejam livres, que sejam eles mesmos, como é que vou passar para eles isso se eu, como mãe, não tenho coragem de fazer o que estou vendo me fazer feliz?” Cheguei em casa, liguei para a coordenadora do curso e disse que infelizmente não poderia aceitar as aulas, ia abrir minha empresa de Bolos e Doces para festas. E desde esse dia, a angústia que eu sentia foi embora….

Leo-229

E foi assim, com todo o apoio do meu marido – que desde o começo disso tudo foi quem mais me apoiou -, dos meus três filhotes e de amigos queridos, que, ao descobrir a confeitaria, eu pude finalmente me encontrar!!!

 

Essa fotinha aí de cima é ainda da época das primeiras aventuras nesse delicioso mundo de bolos e doces … ainda em 2016!!

3 comentários sobre “A Confeitaria na minha vida!!!

  1. Patricia disse:

    Parabéns pela ousadia, busca e persistência. Realmente o autoconhecimento nos leva longe e inclui nos permitirmos experimentar coisas novas para chegar ao prazer e realização.
    Que sua nova profissão traga lindos e deliciosos frutos para sua família!!
    Um abraço e beijinhos nas crianças!!

    Curtido por 1 pessoa

  2. Pingback: Ganache

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s